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SR. DOMINGOS, UMA VIDA MARCADA PELA FÉ E PELA CARIDADE

Por Joice Mendes

O homem que viveu o período das três guerras mundiais é quem diz: “O bom da vida é a tranquilidade”. Nascido em 31 de julho de 1910, Domingos Afonso dos Santos é morador do Bairro JK, em Coronel Fabriciano, e um dos 12 habitantes com mais de 100 anos do município, segundo dados do IBGE, divulgados no último censo de 2010. Prestes a completar 106 anos, ele esbanja vitalidade e compartilha um pouco da sua história de vida.

Filho de pais agricultores, nasceu em uma família grande de 14 irmãos, em Salinas, Minas Gerais. Foi casado por 58 anos com Tergina dos Santos, com quem teve oito filhos. Sr. Domingos, hoje viúvo, conta que, durante a juventude, trabalhou duro em plantações, na criação de gado e ajudando o pai no transporte do vinho produzido pela sua família. Antes de se mudar para Coronel Fabriciano, viveu em Barra do Cuieté e em Linópolis, um povoado pertencente ao município de Divino das Laranjeiras, também no estado de Minas Gerais. Foi nesta localidade que conheceu a obra vicentina, convidado por um amigo que era presidente de conferência.

Segundo Sr. Domingos, a princípio o convite foi recusado. “Não quis participar, nem sabia o que era aquilo”, lembra.  Mas o amigo seguiu insistindo e, por várias vezes, voltou a reforçar o convite.

“Nunca me arrependi, pelo contrário, tem me feito muito bem integrar essa comunidade que busca testemunhar a fé mediante atos concretos de caridade para com o próximo necessitado”, conclui ao recordar o fato ocorrido na década de 50.

Em julho de 1977, Sr. Domingos mudou-se para Coronel Fabriciano e, em agosto de 1982, fundou, com outros amigos, a Conferência Vicentina “Divino Espírito Santo”, que funcionava em sua casa e, posteriormente, teve suas reuniões transferidas para a igreja do bairro.

Sr. Domingos se diz um homem privilegiado: “Sempre gozei de boa saúde e cultivei muitos amigos, o médico só me via muito de vez em quanto”, conta. Segundo ele, em uma destas visitas, quando tinha pouco mais de 50 anos, o Dr. lhe recomendou reduzir o fumo. “Eu fumava e bebia cachaça. Em dias de trabalho duro fumava de 12 a 15 cigarros”, lembra.

Depois desta consulta, foi-lhe recomendado fumar, no máximo, três cigarros por dia. Nervoso com a indicação médica, Sr. Domingos decidiu, de raiva, largar tudo de uma vez.

Dos antigos hábitos, permanecem o consumo diário do vinho e o gosto por uma carne gorda. “Ainda hoje, como de tudo, gosto de mocotó e até de um torresmo de vez enquanto”, confidencia.

Apesar destas estripulias na alimentação, Sr. Domingos não sofre de nenhuma doença crônica como diabetes ou colesterol. No dia da nossa conversa, a única reclamação era a coriza, própria destes dias de inverno. Tirando esse desconforto passageiro, a idade só lhe afetou a audição, mal compensado pelo uso de um aparelho auditivo que em nada compromete o seu bom papo e senso de humor.

No fim de julho, Sr. Domingos comemora mais um aniversário e, nesta ocasião, são aguardados os filhos, os 16 netos, os 21 bisnetos e os 10 tataranetos.  De uma família que acredita ser abençoada pela longevidade. E não é por acaso.

Sr. Domingos tem uma irmã com 100 anos e dois irmãos já falecidos que superam a casa dos noventa. De sua parte, não falta vitalidade: ele, que sempre procurou ajudar os mais necessitados, diz que as coisas melhoraram muito. “Tudo está mais fácil, até o número de pobres precisando de ajuda diminuiu”, afirma.

Nascido em uma época em que não havia rádio, televisão e muito menos internet, lembra-se do tempo em que se gastava muito selo. “Eu mesmo escrevi muita carta para matar saudades de gente que estava distante. Escrevia para os maridos das conhecidas que trabalham fora, pedindo notícias, outra hora dinheiro, e assim fiquei conhecendo muitas cidades onde nunca pisei”, recorda.

Sr. Domingos nunca parou de aprender. Começou a desenhar após os sessenta anos, quando começou a frequentar o grupo da terceira idade. Desta época, lembra com alegria das viagens e dos grupos de dança, em que era conhecido como o rei da quadrilha.

Em 2003, teve o livro “Hei de viver na amizade e no amor” publicado pela família. A obra reúne poesias e reflexões sobre temas como família, fé e vida. Suas histórias e vivências não cabem neste texto, mas renderiam uma bela biografia. Para os leitores interessados em dicas para bem viver, o centenário aponta caminhos: a fé e o cultivo de bons pensamentos. Quanto ao segredo para uma vida longa, a resposta vem num sorriso: "Isso é com Deus. Se ele quiser, você chega lá", garante.

A Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP)

O confrade Domingos Afonso é membro da Conferência Divino Espírito do Bairro JK, em Coronel Fabriciano. Atualmente, a cidade conta com aproximadamente 800 vicentinos distribuídos em 54 conferências organizadas por meio de seis conselhos particulares e vinculados ao Conselho Central do município.

A Sociedade de São Vicente de Paulo é formada por leigos católicos que, em seus trabalhos, assistem às famílias carentes com obras materiais e espirituais, contribuindo para a evangelização e para uma maior justiça social entre os pobres. Em Coronel Fabriciano, o Lar dos Idosos Antônio Frederico Ozanam é uma das obras mantidas pela Sociedade São Vicente de Paulo.

*Joice Mendes é jornalista, cristã e assessora de comunicação do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste).

* Fotos: Teuller Morais

 
CENIBRA LEVA ETAPAS DA FABRICAÇÃO PARA EXPO USIPA

No período de 20 a 22/7, a Cenibra participa da Expo Usipa com um estande dinâmico, apresentando as etapas do processo de produção de celulose. No estande da empresa, os visitantes podem tocar e verificar a textura da celulose em várias etapas, desde as mudas, passando pela madeira cortada, os cavacos que vão para o cozimento, a polpa de celulose, a polpa branqueada. Além disso, podem visualizar sua aplicabilidade, pois a última etapa mostra os produtos do dia a dia que contêm celulose ou eucalipto em sua composição.

O processo de produção de celulose tem início com o preparo das mudas, do solo, o plantio e colheita do eucalipto, preservando e protegendo as áreas de florestas nativas existentes. A celulose são fibras da madeira, que uma vez extraídas do eucalipto, são utilizadas como matéria-prima na fabricação de papel. No processo químico de produção de celulose, a madeira após picada, é dissolvida com soda diluída em água. Metade resultará numa pasta de fibras, que após um processo de peneiramento, lavagem e branqueamento, resultará numa pasta de celulose branca. A outra metade, líquida, principalmente constituída da substância que faz ligação entre as fibras e a soda, será usada como combustível nas Caldeiras. Para cada 20 árvores processadas (cerca de duas toneladas de eucalipto), produz-se aproximadamente uma tonelada de celulose e mais uma tonelada de combustível, o que permite à Cenibra ser autossuficiente em energia.

 
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