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Tarcísio Barbosa

 

Tomada é um termo bastante problemático, digo, emblemático. Tem vários tipos de tomada. As Ciências da Administração e da Economia inventaram, cunharam fica melhor, a tomada de decisão. Chiquérrimo! Pois o mundo não anda sem a tomada de decisão destes profissionais. A primeira vez que ouvi falar na tal tomada de decisão foi em 68, se não me engano. Eu fazia o curso de Economia Rural, da grade de Agronomia. O curso era chatérrimo, e nós o chamávamos de Saconomia. Dava dor de barriga até em copo de sonrisal. E o professor sempre falava da tomada de decisão. Até que um dia, quando o professor falou em tomada de decisão, muitos alunos saíram da sala de aula. E não voltaram. Então o professor perguntou pra mim, sempre CDF, por que os alunos haviam saído da sala de aula.

- Foram lá fora para a tomada da decisão, uma cachaça a que deram este nome de última hora, disse eu candidamente ao prof.

Outras tomadas houve por aí. Entre elas a tomada da Bastilha, que deflagrou a Revolução Francesa em 14 de julho de 1789. A tomada de Monte Castelo pela FEB, Força Expedicionária Brasileira, ocorreu no fim da II Guerra Mundial. Em que os pracinhas brasileiros escreveram páginas de heroísmo, segundo os historiadores. Mas os historiadores eram brasileiros! E eventualmente podiam contar uma vantagenzinha extra. A história das guerras é sempre escrita pelos vencedores. Vae victis – ai dos vencidos! Tão fufu! A razão está sempre com o mais forte, segundo a fábula O Lobo e o Cordeiro. Claro que o lobo jantou o cordeiro.

Catão, Marcus Lucius Cato, censor, estadista e general romano invocou de fazer a tomada de Chicago – Chicago não, que fica na América do Norte, que ainda não havia sido descoberta - Cartago, cidade do norte da África, rival de Roma. Falava no senado, nos botecos e até na zona. Cruzes! Delenda est Carthago, Cartago deve ser destruída. E blá, blá, blá. E foi mesmo, tomada, depois de um cerco que durou três anos.

A tomada mais rara na atualidade é a tomada de consciência ou de vergonha na cara. Que não tem sido apanágio dos nossos políticos.  Tem também a tomada de força para ligar os implementos agrícolas no trator. E a tomada das bananeiras? Essa acontecia no Tiro de Guerra aqui em Viçosa, quando os atiradores, de fuzil, saíam da sede e desciam correndo atravessando o que hoje é um belo lago, até as quatro pilastras da UFV. Passávamos por um córrego que tínhamos de pular e havia muitas bananeiras por ali. E os últimos a chegar eram chamados de mocorongos pelo sargento.

E as tomadas elétricas? Para ligar qualquer aparelho tem que ter a tomada. Aliás, neste caso são duas: a tomada macho e a tomada fêmea. Se alguém acha que está errado falar tomada macho, que tem que ser tomada macha, errou redondamente. Sugiro que procure na gramática o capítulo sobre substantivos epicenos ou promíscuos. E sua cultura subirá um pequeno degrau.

Certa ocasião, fui dar uma palestra e na hora de ajeitar o projetor de slides, sua tomada era aquela de três pinos. E a tomada fêmea só tinha dois buraquinhos. Chamei meu auxiliar e disse-lhe que arrumasse um alicate. Com ele arranquei o terceiro pino que só serve para complicar e o entreguei a meu auxiliar.

- Que faço com o pininho retirado da tomada, prof.?, perguntou meu auxiliar.

- Faça o que você quiser, inclusive, disse-lhe eu.

Eu ando sempre preocupadíssimo com o bem-estar dos meus amigos e amigas. E em relação à tomada deles, nem se fala!

Leitor(a), como anda sua tomada? Tá funcionando direitinho!

 

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