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Os reflexos do crescimento desordenado na região

O desenvolvimento cada vez mais rápido dos espaços urbanos aliado às mudanças climáticas forma uma perfeita combinação para os constantes problemas como falta freqüente de energia e de água em determinados da região. No caso de Ipatinga, mais especificamente, esse quadro se torna ainda mais delicado com a proibição que o Ministério Público impôs a administração municipal de liberar novos alvaráspara construção de prédios. Para traçar diretrizes que melhor organizem a estrutura urbana do município, estão em discussão as leis complementares do Plano Diretor de Ipatinga 2010, já aprovado. Apesar da aprovação, o Ministério exigiu a elaboração das leis complementares: Lei de Uso e Ocupação do Solo, Código de Posturas e Lei de Zoneamento Urbano. Elas são determinantes para a regulamentação do crescimento urbano. Enquanto essas leis não são aprovadas, a população tem que lidar com os reflexos negativos da falta de regulamentação.

 

Clima

Na avaliação da analista de relacionamento da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), Carla Regina Silva, o Plano Diretor vai ajudar a nortear melhor o uso da energia. Segundo ela, a empresa quer participar dos debates. “Quando uma pessoa precisa ampliar a rede do seu imóvel, ela deve procurar a Cemig para verificar se a carga disponível agüenta a ampliação. Mas isso não acontece. E quando nos chamam já é tarde demais. É preciso levar informação para a população ajudar a evitar tais transtornos”, exemplificou Carla.

Sobre as constantes quedas de energia, Carla Regina disse que o crescimento suntuoso interfere diretamente no fornecimento. As companhias elétricas não dão conta de acompanhar essa evolução. “O crescimento, o calor e as novidades tecnológicas fazem com que as pessoas consumam mais energia por mais tempo. As redes já instaladas não dão conta de acompanhar esse crescimento acelerado. Por isso tentamos conscientizar a população com as campanhas”, declarou.

 

Água e esgoto

Falta de água e problema com esgoto é outro item obrigatório no “pacote crescimento”. Em Ipatinga, um dos exemplos mais representativos de problemas com rede de esgoto é o bairro Horto. O Chefe do Departamento Operacional Leste da Copasa, Valério Parreira, explicou que a verticalização afeita a população principalmente pela insuficiência de redes públicas de água, que foram dimensionadas para um determinado número de pessoas. “Um dos agravantes para a Copasa é o mal uso das redes coletoras de esgoto feito pela população, por falta de conhecimento. Muitas vezes o lançamento da água de chuva que caem nos telhados e quintais são lançados nas ligações de esgoto das casas e prédios, provocando refluxo de esgoto nos poços de visitas nas ruas ou nos poços luminares nos passeios e muitas das vezes dentro das próprias residências”, avaliou Valério.

Nesse sentido, vale ressaltar o descumprimento da norma de deixar 30% do imóvel livre de calçadas ou qualquer construção para evitar inundações. “Uma das soluções para melhoria da infiltração de água no solo e diminuir a velocidade da água de chuva atrasando sua chegada nos mananciais é a adoção de pavimentos rígidos como bloquet e paralelepípedo. Eles são inclusive mais ecológicos”, observou Valério. O chefe da Copasa destacou a importância do Plano Diretor.  “Todos os projetos elaborados pela Copasa levam em consideração os planos diretores existentes nas localidades onde ela presta o serviço”, finalizou.