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Relógio do Coração

Alexandre Pelegi

“Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu:                           há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.” (Eclesiastes)
Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
E há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados da folhinha.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembrança de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre o nascimento do filho, a morte da avó, a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.
Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz estava eu na ocasião.
O relógio do coração hoje descubro, bate noutra freqüência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças do que viveu.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo.
“O presente é a sombra que se move separando o ontem do amanhã. Nele repousa a esperança.” (Frank Lloyd Wright)
“O tempo foi algo que inventaram para que as coisas não acontecessem todas de uma vez.”

 
DALTONISMO

Tarcísio Barbosa

Daltonismo é  um defeito na visão  caracterizado  pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, mas o principal  é não  distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos orgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica.

O distúrbio, desconhecido até o século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico John Dalton,  o primeiro cientista a estudar a anomalia da qual  ele mesmo era portador. Uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossomo X, ocorre mais frequentemente entre os homens. Quanta cultura!

Dado este introito, sem acento por causa da Nova Ortografia, vamos ao  nosso fato. À vaca fria. Doutor Fred era um executivo de uma multincional. Administrador de  Empresa, com MBA em Harvard,  ganhava uma nota preta. Mas viajava muito e vivia muito estressado. Razão por que não andava comparecendo muito em casa, deixando a  patroa, patroa não que é de pobre, esposa, em farta. Entretanto, ela não reclamava. E assim iam levando aquela vidinha insossa. Doutor Fred, muito do desconfiado, achou que estava sendo chifrado. Rico também leva chifre, não é só pobre, não. Contratou um detetive. Dito e feito. Ela ia, sempre que ele viajava, a uma boate, que era mais ponto de encontro que qualquer outra coisa. E saía avec, acompanhada. Cruzes! Que horror!

Doutor Fred não se abalou. Afinal, ele morara na Cornualha, uma região da Inglaterra onde abundam os cornos. E apesar de ser adepto do laissez faire, deixa pra lá, desta vez ele queimou no golpe. Contratou o taxista Betão. Betão guarda-roupa.

- Betão, você entra na boate, apanha minha mulher e traz ela pra fora. De qualquer jeito. Arrastando pelos cabelos como se fazia na idade da pedra, no tapa.  Mostrou-lhe uma foto e ficaram de campana perto da boate. Ela chegou num outro táxi, chiquérrima num vestido vermelho tomara-que-caia - e que caía mesmo - e entrou para a boate. Betão entrou logo em seguida, deixando doutor Fred no carro.

Daí a pouco, sai Betão arrastando uma mulher pelos cabelos, gritando, com o rosto todo roxo.

- Que isto, Betão, você ficou doido, esta mulher não é a minha, ela está de vestido verde e a minha está de vestido vermelho. Você é daltônico, Betão!, perguntou o doutor  Fred apavorado.

- Que daltônico, coisa nenhuma, doutor Fred. Esta é a minha mulher, segura ela que agora vou buscar a sua.

A mulher do Doutor Fred ia à boate porque estava em farta, e a mulher do taxista ia para apurar argum. Que a situação estava difícil.

Caro leitor, qual das duas você acha que está com a razão? Você decide!

 
PACTO COM A FELICIDADE

Tahyane Fire

De hoje em diante, todos os dias ao acordar, direi: Hoje, eu vou ser feliz! Vou agradecer ao sol pelo seu calor e luminosidade, sentirei que estou vivendo, respirando...

A natureza me oferece toda a sua beleza e seus recursos gratuitamente.

Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar.

Sentirei a beleza das árvores, das flores. Vou sorrir mais, sempre que puder.

Vou cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades.

Não vou julgar os atos dos meus semelhantes ou companheiros.

Vou aprimorar os meus... Lembrarei de ligar para alguém  para dizer que estou com saudades!

Reservarei minutos de silêncio, para ter a oportunidade de ouvir.

Não vou lamentar nem amargar as injustiças.

Pensarei no que posso fazer para diminuir seus efeitos.

Terei sempre em mente que, os minutos e as horas, não voltam mais.

Vou vivê-los com intensidade focalizando o presente.

Não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos.

Nem com atraso lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.

Não vou pensar no que não tenho e no que gostaria de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo.

E o maior bem que possuo é a própria vida. Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção. Vou dedicá-las a alguém. Vou fazer algo que faça alguém feliz sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ver um sorriso. Vou lembrar que em algum lugar existe alguém que me quer bem. Vou dedicar uns minutos de pensamento para os que já se foram.

Para que saibam que serão sempre uma doce lembrança, até que venhamos a nos encontrar outra vez. Vou levar alegria a quem esteja precisando.

E quando a noite chegar vou olhar para o céu para as estrelas e para o luar... Agradecer aos Anjos e a Deus porque: HOJE EU FUI FELIZ!

 
É melhor dar que receber

Um estudante universitário saiu um dia a dar um passeio com um professor, a quem os alunos consideravam seu amigo devido à sua bondade para os que seguiam as suas instruções.

Enquanto caminhavam, viram no seu caminho um par de sapatos velhos e calcularam que pertenciam a um homem que trabalhava no campo ao lado e que estava prestes a terminar o seu dia de trabalho.

O aluno disse ao professor: Vamos fazer-lhe uma brincadeira. Vamos esconder-lhe os sapatos e escondemo-nos atrás dos arbustos para ver a sua cara quando não os encontrar.

Meu querido amigo, disse o professor, nunca devemos divertir-nos à custa dos pobres. Tu és rico e podes dar uma alegria a este homem. Coloca uma moeda em cada sapato e depois escondemo-nos para ver a sua reação quando os encontrar.

Fez isso e ambos se esconderam no meio dos arbustos. O pobre homem terminou as suas tarefas diárias e caminhou até aos sapatos, para voltar para casa. Ao chegar junto dos sapatos deslizou o pé no sapato, mas sentiu algo dentro deste. Baixou-se para ver o que era e encontrou a moeda.

Pasmado perguntou-se o que havia acontecido. Olhou a moeda e voltou-a e voltou a olhá-la. Olhou à sua volta, para todos os lados, mas não via nada nem ninguém. Guardou-a no seu bolso e foi calçar o outro sapato. Sua surpresa foi ainda maior quando encontrou a outra moeda. Seus sentimentos esmagaram-no.

Pôs-se de joelhos, levantou o olhos ao céu, e em voz alta fez um enorme agradecimeto, falando de sua esposa doente e sem ajuda, e de seus filhos que não tinham pão e devido a uma mão desconhecida não morreriam de fome.

O estudante ficou profundamente emocionado e seus olhos ficaram cheios de lágrimas. Agora, disse o professor, não está mais satisfeito com esta brincadeira?

O jovem respondeu: Você ensinou-me uma lição que jamais hei-de esquecer.

Agora entendo algo que antes não entendia: é melhor dar que receber.

 

“O segredo do êxito na vida do homem consiste em estar disposto a aproveitar a ocasião que se lhe depare."

Benjamin Disraeli

 
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