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Tudo pelo social

Tarcísio Barbosa

 

Para facilitar a vida do trabalhador - facilitar no sentido de o trabalhador ganhar mais uma graninha todo mês para complementar seu minguado salário - o governo, na sua visão de dar ajuda ao assalariado - criou e implementou o vale transporte e o vale alimentação. Aliás, duas grandes conquistas da classe trabalhadora.

O vale transporte corresponde a uma ajuda de custo para o trabalhador que mora longe da empresa e precisa se deslocar até a mesma para pegar no batente. Como muitos trabalhadores vão para o trabalho a pé, existe um florescente comércio de vale transporte nas ruas das grandes cidades: compra e venda. Neste caso, o trabalhador faz mais uma graninha cash. Normalmente o vale transporte é vendido abaixo do valor de face.

O vale alimentação talvez seja uma conquista mais importante que o vale transporte. Adeus às marmitas de antigamente que o trabalhador levava para seu serviço. A antiga betoneira. Nesta época, quando ainda não havia as marmitas térmicas, muitas vezes, quando o trabalhador ia comer, a comida já estava fria e estragada. Já passei por isto quando trabalhei de servente de pedreiro. O vale alimentação veio resolver este problema. Na hora do almoço, o trabalhador vai a um restaurante e almoça. O vale alimentação é trocado no comércio com facilidade pelo seu valor de face, quando o trabalhador não precisa se utilizar dele.

O vale motel... pera aí!, este ainda não foi criado. Quanta falta de sensibilidade do governo! Facilita a vida do trabalhador com os vales transporte e alimentação. E na hora do melhor, não facilita em nada! E o lazer do trabalhador vai pra onde? O vale motel deixaria o trabalhador mais feliz e teria um caráter social. Seria a socialização do acesso aos motéis. Hoje com preços pela hora da morte! Melhorando o faturamento dos motéis, haveria mais emprego. Coisa tão em falta hoje em dia! E o trabalhador, este ser sacrificado, poderia pular a cerca mais vezes e mais despreocupadamente. Eventualmente com a própria coleguinha de trabalho! Poderia ainda revezar: uma vez pagava o motel com o seu vale e na outra com o vale da coleguinha. É a igualdade dos sexos imperando! E o trabalhador mais feliz tem melhor produtividade. É o que dizem aquelas pessoas especializadas em recursos humanos.

O casalzinho poderia utilizar o vale transporte para ir para o motel e o vale refeição para lá almoçar. Claro, desde que tenha economizado ambos como afirmei no início deste artigo!

Até hoje eu não sei por que o governo ainda não criou o vale motel!

Espero que este artigo, que veementemente defende o bem-estar do trabalhador, seja lido por algum político de grande sensibilidade social que envidará esforços no Congresso Nacional para conseguir mais esta conquista para a nossa tão sofrida classe trabalhadora.

Dom Lula II não ficará insensível a esta nossa sugestão!

 

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Dom Lara fala sobre relação da Maçonaria e Igreja Católica

Bispo Emérito e Consultor Jurídico da CNBB proferiu palestra para platéia de 200 pessoas, no Templo da Loja Maçônica União de Ipatinga

Dom Lara enfatiza a aproximação da Igreja Católica com a Maçonaria depois do Vaticano II. Ele destacou também que a Igreja Católica adota dois ritos (maneira de celebrar a liturgia e de organizar a vida da Igreja) distintos: o rito latino e o rito oriental, sendo que na Igreja Católica oriental existem padres casados exercendo o ministério, o que não é admitido pela disciplina da Igreja Católica Latina.

Em seguida, Dom Lara discorreu sobre a origem da maçonaria, na idade média, quando a sociedade civil se constituía de corporações, entre as quais se destacaram as associações religiosas e as de operários. Dentre as de operários tinha destaque especial a dos pedreiros, que, por causa dos seus serviços apreciados em edifícios públicos, especialmente em igrejas, gozava de certas prerrogativas, de isenções e de franquias. Daí a origem de franc-maçon, ou pedreiros livres. Todos eram profundamente religiosos e cada associação queria firmar seus alicerces na religião, que dominava a sociedade, a fim de garantir sua estabilidade e proteger seus membros, proporcionando-lhes bem-estar físico, desenvolvimento intelectual e eterna felicidade à alma

Já entrando na questão das divergências entre as duas instituições, Dom Lara lembrou que a partir do século XIX, mais precisamente em 1877, o Grande Oriente da França suprimiu de suas constituições o dever de acreditar em Deus e na imortalidade da alma, e admitiu em seus quadros irreligiosos e ateus, caindo na irregularidade. Em função disto, a Loja Mãe da Maçonaria, Grande Loja Unida da Inglaterra, cortou relações com ela e ainda as mantém cortadas.

Assim, constatado que o anticlericalismo e o anticatolicismo se verificam apenas na Maçonaria irregular e não são da essência da Maçonaria Universal, é cada vez mais forte o movimento de aproximação entre a Igreja Católica e a Maçonaria. Ainda segundo o Bispo, é neste contexto que devem se colocar os pronunciamentos da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.

Dom Lara citou ainda um trecho bíblico ...“não deixes tua mão esquerda saber o que a direita faz” (Mateus 6,3) para enaltecer uma das convicções dos maçons, que é a de praticar a filantropia sem dar publicidade ao ato. O que, segundo ele, é um princípio louvável. O Bispo foi enfático também ao afirmar que “muitas vezes a Maçonaria é vista como associação envolta em mistérios, segredos, como por exemplo, sinais para se identificarem como maçons; e isso faz com que muitos imaginem ou fantasiem coisas estranhas, ridículas e absurdas, como pactos com o diabo e coisas assim”.

 

Relação tensa

Ao discorrer sobre o relacionamento entre a Igreja e a Maçonaria, Dom Lara disse que “ao longo da história, aconteceu muita coisa que¸ infelizmente, devemos lamentar. As relações entre estas duas instituições foram tensas. Mas essas tensões não tinham a mesma intensidade em todas as regiões. Antes do Concílio Vaticano II o posicionamento da Igreja Católica em relação à Maçonaria era muito severo. O cânon 2335, do antigo Código de Direito Canônico, estabelecia excomunhão para quem ingressasse na Maçonaria ou em outras associações que maquinassem contra a Igreja ou autoridades civis legitimamente constituídas.

No atual código de Direito Canônico esta penalidade não consta. Aliás, a palavra Maçonaria não é conhecida no atual código de Direito Canônico. O cânon 1374 desse Código penaliza o católico que ingressar em associação que maquina contra a Igreja. Não se refere explicitamente à Maçonaria”, enfatizou o religioso.

Para Dom Lara, na Região Metropolitana do Vale do Aço as relações entre Igreja Católica e Maçonaria parecem tranqüilas, e que o Bispo Diocesano, Dom Odilon Guimarães Moreira tem a mesma impressão.

Dom Lara finalizou com uma mensagem de união para os presentes: “o desejo ardente de Jesus Cristo é que todos sejam UM. E que todas as pessoas da terra se enlacem num grande abraço. Este sonho de Jesus Cristo deve encontrar eco e ressonância no coração de todos nós, seus seguidores. Ao longo da história sempre surgiram pessoas sensíveis ao projeto de Deus ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança”.

Para o presidente da Loja Maçônica União de Ipatinga, Ednaldo Amaral Pessoa, a visita de Dom Lara proporcionou momentos de rara felicidade a todos aqueles que compareceram à sessão. “A manifestação de Dom Lara foi simplesmente louvável, pois proporcionou oportunidade para que misticismos acerca da Maçonaria e da Igreja Católica fossem esclarecidos” destacou. Ednaldo destacou ainda que a mensagem de Dom Lara mostrou-nos a lição de que a relação com DEUS, para quem crê, é terapêutica e nos leva a viver a cura de nossas feridas interiores e físicas. Por fim, ressaltou que a presença de Dom Lara na Loja Maçônica demonstrou o quão grande é a sua coragem, restando constatada a erudição, sabedoria, inteligência e simplicidade, tão peculiar em Dom Lara.

A palestra foi acompanhada por representantes de vários setores da comunidade, como Lions, Rotary, Judiciário, OAB e padres, além de membros de várias Lojas Maçônicas do Vale do Aço.

Ao final da cerimônia, Dom Lara foi homenageado com uma placa de agradecimento e reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade, bem como por seu desprendimento em realizar a inédita palestra.

 

* Colaboração Jotha Pinheiro

 
O Suicida e o ComunicólogoO Suicida e o Comunicólogo

Tarcísio Barbosa

Toda cidade tem um comunicólogo. Um tipo de showman que se intromete em tudo. Sempre querendo aparecer. Subindo em caixote para fazer discurso. Alguns sobem até em uma gilete quando não tem um caixote por perto. Este é o caso de um comunicólogo que se deu mal.

Toniquinho estava lá pelos seus trinta e poucos anos e já na terceira companheira. Durante toda sua vida sentimental fora, entre os amigos de língua grande, o rei do chifre. Vivia levando chifre desde a adolescência: chifrinho, chifre e chifrão. Foi-se aguentando pois ainda não levara chifre da patroa: esposa de papel passado como quisera sua mãe.  Ainda era o que ele pensava. Mas o fato já vinha ocorrendo fazia algum tempo.

Mudara-se para perto de sua casa um jovem bonitão, frequentador de academia. Todo saradão. E uma conversa pra lá de mole. A quem a mulher do Toniquinho não resistira.

Um dia Toniquinho ficara sabendo e se desesperara. Chifre das namoradinhas vá lá... mas da patroa já era demais! Por mal dos pecados, fora também despedido do emprego. Que ele achava seria para a vida inteira. Ele vivia na década de sessenta, ou um pouco antes.

Chifrado e quebrado, Toniquinho tomou uma decisão trágica: iria se matar. Não iria suportar tanta vergonha, tanta desgraça. Para tanto, escolheu o prédio mais alto de sua cidade. E lá na cobertura daquele prédio comercial ameaçou se jogar. Chegou o corpo de bombeiros que começou a escalar o prédio, porquanto Toninho trancara a porta que dava para a cobertura. Começou a chegar, então, a urubuzada de sempre: jornais, rádios, fotógrafos e televisão.  E o povo. Todos ali para ver a tragédia. Afinal, não era todo dia que alguém resolvia suicidar-se numa cidade pequena.

Debaixo do prédio foi-se formando uma multidão. Era hora de todo mundo largar o serviço para o happy-hour. Happy hour coisa nenhuma. O pessoal tava seco era mesmo numa cachacinha  antes do jantar.

Não se sabe como, Tonhão, o maior comunicólogo daquela cidade chegou à cobertura, quando o Tonico já se pusera em cima da cornija da janela.

- Faz isso não, Tonico! A vida é bela! Alguém vai arranjar outro emprego pra você. E outra mulher, você mesmo arranja. Tem muitas por aí!

- É, mas eu gosto mesmo é da Edelweiss. Sempre foi minha paixão. Dei a ela todo o meu amor e ela me pôs um chifrão sem tamanho.

- Pense nos seus amigos! Na tristeza que você trará a eles.

- Alguns dos meus amigos também já me chifraram antes, ponderou Tonico.

Enquanto isto, a turma lá em baixo no prédio crescia. Aí, passou por lá um bêbado. Bêbado, não. Trêbado.

- Pula! Pula! Pula!, começou a gritar o bêbado.  Quase de imediato, toda a turma ali – os urubulinos de plantão – fez coro ao bêbado. Aquilo ali já estava virando um circo.

- Posso sentar-me aí perto de você, perguntou o Tonhão ao Tonico que estava sentado na cornija da janela.

- Pode sim, Tonhão! Mas não adianta, eu vou pular. Eu já me decidi.

- Segura minha mão, Tonico!  Passarei para você uma energia positiva. E você desistirá deste ato insano, falou o comunicólogo Tonhão.

Tonico segurou a mão de Tonhão, e ficaram ambos em silêncio, meditando. Foi aí que os bombeiros conseguiram chegar à janela do prédio onde Tonico e Tonhão estavam.

Tonico, no desespero, em sua decisão insana, pulou. E, segurando a mão do comunicólogo Tonhão, levou-o consigo. De lambujem.

E foi assim que aquela cidadezinha se livrou de um comunicólogo chatérrimo!

 
Afinal, o que é sustentabilidade?

*Por Luiz Carlos Cabrera

 

Sustentabilidade é a palavra que mais se ouve e se lê por aí - na administração, na economia, na engenharia ou no Direito. Mas, afinal, o que significa sustentabilidade? Como bom mentor, vou tentar explicar de forma simples o conceito que já faz parte da vida moderna. Em primeiro lugar, trata-se de um conceito sistêmico, ou seja, ele correlaciona e integra de forma organizada os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade. A palavra-chave é continuidade – como essas vertentes podem se manter em equilíbrio ao longo do tempo.

Quem primeiro usou o termo foi a norueguesa Gro Brundtland, ex-primeira ministra de seu país. Em 1987, como presidente de uma comissão da Organização das Nações Unidas, Gro publicou um livreto chamado Our Comom Future, que relacionava meio ambiente com progresso. Nele, escreveu-se pela primeira vez o conceito: “Desenvolvimento sustentável significa suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”. Note que interessante: a proposta não era só salvar a Terra cuidando da ecologia, mas suprir todas as necessidades de gerações sem esgotar o planeta. “Nem de longe se está pedindo a interrupção do crescimento econômico”, frisou Gro. “O que se reconhece é que os problemas de pobreza e subdesenvolvimento só poderão ser resolvido se tivermos um, a nova era de crescimento sustentável, na qual os países do sul global desempenhem um papel significativo e sejam recompensados por isso com os benefícios equivalentes.”

Parece que Gro Brundtland adivinhava a crise recente das economias do norte e já salientava o papel dos países emergente, como o Brasil, China, e Índia. Para você, vale lembrar que a sustentabilidade se aplica a qualquer empreendimento  humano, de um país a uma família. Toda atividade que envolve e aglutina pessoas tem uma regra clara: para ser sustentável, precisa ser economicamente viável, socialmente justa, culturalmente  aceita e ecologicamente correta. O desfio é enorme, envolve várias gerações e, por isso, você precisa estar ligado no tema.

 

* Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMV consultores e membro da Amrop Hever Group

 
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