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Os Moleques da Vila

O time do Santos está brincando de jogar futebol com os seus meninos, “os moleques da Vila”, no bom sentido. Neymar, André, Paulo Henrique Ganso, Marquinhos, Maranhão, Wesley, Pará, Madson e Robinho estão abusando de colocar em campo o verdadeiro futebol brasileiro, o futebol arte, que começa com o jovem e ótimo goleiro Felipe até o menino mais experiente Robinho. O técnico Dorival Jr. tem feito o mínimo possível para não atrapalhar, como ele próprio gosta de dizer. Deixa o time solto, leve, jogando pra frente, em busca do gol. É um time rápido e que joga num esquema tático invejável, com liberdade e responsabilidade para atuar.

É o novo Santos que surge no futebol paulista e brasileiro, depois daquela geração que tinha Diego, Robinho, Elano, Alex, Renato, Léo e outros. Ninguém chuta tanto a gol como os novos “Meninos da Vila”. São mais de 20 finalizações por partida. Dá gosto ver o Santos jogar com essa nova meninada cheia de vontade, futebol arte, com alegria e eficiência, partindo pra cima, seja lá qual for o adversário, mas com o devido respeito. No meio da semana, pela Copa do Brasil, foi um espetáculo, um show de futebol, jogadas maravilhosas, dribles desconcertantes, bola de pé em pé. Parecia que o Santos jogava por música. Há muito tempo não via um time tocar a bola, fazer maravilhas em campo, um autentico show de futebol.

Não pela fragilidade do Naviraiense, mas pelo conjunto da obra, pelo que vem apresentando em campo os “Moleques da Vila”.

Amanhã tem o Palmeiras pela frente. Clássico doméstico, a coisa muda, trata-se de um jogo atípico, com, expectativas diferentes e postura diferente, mas nem tanto que vá intimidar o futebol alegre, rápido, ofensivo e contagiante da garotada da Vila Belmiro. Como a rivalidade está acima de tudo nessas partidas, serão os detalhes que vão marcar a cadência do jogo e evidentemente o placar final.

O campeonato paulista é um dos mais disputados e equilibrados do Brasil, onde as equipes do interior chegam com bom nível técnico, veja exemplo do Santo André, atual vice líder da competição. Muitos chegam na reta final em disputa pelo título, dão pressão, engrossam com os “grandes”, derrubam tabus. Os clubes do interior são aguerridos, fortes, com boas estruturas financeiras, possuem ótimos estádios com segurança, bons gramados, boas instalações para se trabalhar, boas acomodações. Dizem que São Paulo, o Estado, é outro país. A facilidade de deslocamento entre as cidades e entre a capital e o interior e fácil, viável e quase sempre seguro. Bem diferente de nosso campeonato, que reúne clubes sem estrutura financeira, estádios ruins em todos os aspectos, equipes fracas tecnicamente e uma competição nos moldes arcaicos. Um sistema de disputa ultrapassado onde já se projeta o título entre os dois grandes da capital pelo sistema mata-mata, onde prevalece sempre a superioridade técnica, experiência, força e pressão. Fica visível a diferença na hora do “vamos ver”. Apenas o Ipatinga que é o grande do interior está capacitado a jogar de igual com Atlético, Cruzeiro e América, dentro do Mineirão. Tupi e Democrata podem surgir como zebras numa disputa de mata-mata. Os demais são meros participantes e lutam para permanecer na Divisão Principal.

Por que não adotar a fórmula de turno e returno, com os dois primeiros de cada turno fazendo um quadrangular final? Ou campeão do turno contra o campeão do returno? Todos teriam boas chances. Com a fórmula atual, em dois jogos na fase seguinte, uma equipe que brilhou na primeira fase pode ser alijada da competição em dois jogos, o que seria injusto, até certo ponto, jogaria por terra toda uma excelente campanha na primeira fase. Mas na prática o que vale é o poder do time, sustentar a sua superioridade, fazer valer a sua força e sorte, em duas partidas para se chegar à final.

Vejamos como se dará esse procedimento com o Ipatinga, Tupi e Democrata, principais forças do interior que estiveram durante toda a fase inicial nas primeiras colocações, no G4. Faltam poucas rodadas, três para consolidar os oito times que farão as oitavas de final.

 
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