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Prefeitura de Marliéria embarga obra da Ponte Queimada por irregularidades técnicas

Fiscalizações apontam falhas estruturais, uso de madeira fora do projeto e ausência de tratamento adequado; município afirma que empresa ainda não recebeu pagamento

04/02/2026 às 15h01 Atualizada em 04/02/2026 às 15h12
Por: Jornal Classivale
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Prefeitura de Marliéria embarga obra da Ponte Queimada por irregularidades técnicas

 

A Prefeitura de Marliéria, por meio do setor de Engenharia, determinou o embargo e a paralisação imediata das obras de reforma da Ponte Queimada após sucessivas fiscalizações identificarem uma série de irregularidades técnicas graves na execução do serviço. As inconformidades comprometem diretamente a segurança estrutural, a durabilidade da obra e o cumprimento do contrato firmado com a empresa responsável.

De acordo com os relatórios técnicos, as vistorias realizadas desde dezembro de 2025 apontaram um padrão contínuo de descumprimento das especificações contratuais e das boas práticas de engenharia, especialmente quanto à qualidade e ao tipo da madeira utilizada. Foi constatado o uso de material não especificado no projeto, com substituição indevida da espécie prevista por madeira de qualidade inferior, além da instalação de dormentes com rachaduras severas, trincas longitudinais e fixações comprometidas. Em alguns casos, os parafusos foram aplicados diretamente sobre as fissuras, reduzindo drasticamente a resistência das peças.

Prefeitura informou que empresa deverá corrigir falhas antes de qualquer retomada dos serviços

Outro problema grave identificado foi a ausência de tratamento técnico adequado da madeira. A empresa não apresentou laudos de eficiência, certificação ou comprovação do processo de preservação do material. Durante inspeção recente, verificou-se que o suposto “tratamento” estava sendo feito de forma manual, com aplicação de substância oleosa semelhante a óleo queimado misturado com betume, prática que não atende às normas técnicas e coloca em risco a integridade da estrutura, além de possíveis impactos ambientais.

As falhas também atingiram os sistemas de fixação e segurança. O tabuleiro apresentou pregos soltos e instáveis, rebaixos irregulares que expõem o cerne da madeira e comprometem o desempenho estrutural, além de guarda-corpo instalado sem a devida soldagem e ancoragem das peças, impossibilitando o recebimento da etapa como serviço concluído.

As não conformidades foram registradas em vistorias realizadas nos dias 1º, 12 e 18 de dezembro de 2025, quando a fiscalização já havia solicitado correções, relatórios técnicos e certificações dos lotes de madeira. Como as exigências não foram atendidas e as irregularidades persistiram, a Prefeitura emitiu hoje, terça-feira (04 de fevereiro), a ordem formal de embargo.

Com a paralisação, a empresa está obrigada a retirar imediatamente materiais e equipe do canteiro, ficando proibida de realizar qualquer intervenção até nova autorização técnica. Também está vedada a aplicação de novos materiais enquanto as pendências não forem sanadas.

A administração municipal informou ainda que não foi efetuado nenhum pagamento à empresa até o momento, justamente devido às falhas constatadas nas medições. Caso a contratada não realize a substituição ou retirada dos materiais instalados de forma irregular, o município poderá adotar medidas judiciais para exigir a desmontagem e ressarcimento de eventuais prejuízos, conforme previsto no contrato e na legislação.

O relatório técnico de engenharia foi ainda encaminhado ao Controle Interno e ao setor Jurídico do Município para avaliação das providências administrativas e legais cabíveis.

Segundo a Prefeitura, a medida busca proteger o interesse público, evitar danos ao erário e, principalmente, garantir que a obra seja executada com qualidade e segurança para a população.

A gestão municipal reforça que não haverá tolerância com serviços fora do padrão técnico exigido, reafirmando o compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e com a segurança de quem utiliza a ponte.

A restauração da Ponte Queimada representa não apenas a solução para problemas de mobilidade, mas também a revitalização de um patrimônio histórico, ambiental e turístico de toda a região.

A recuperação beneficiará não apenas Marliéria e Pingo D’Água, mas todo o Vale do Aço.

História e importância da Ponte Queimada

A origem da Ponte Queimada remonta aos séculos XVIII ou XIX, tendo passado por uma reconstrução na década de 1930 que preservou suas características originais: pilares de concreto, estrutura em ferro e piso de madeira.

Mais do que uma travessia, a ponte representa a união entre natureza e história, reunindo a beleza cênica do rio Doce com a exuberância da Mata Atlântica. Contudo, sua degradação estrutural levou à interdição total após um incêndio criminoso em agosto de 2023, que destruiu cerca de 10 metros da estrutura.

Agora, com a restauração garantida, a expectativa é que a Ponte Queimada volte a cumprir sua função prática e simbólica para toda a região.


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