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Jornal Classivale Artigo de Opinião

Política não é futebol: a torcida fanática não deveria ser mais importante que as propostas

Artigo - A polarização transformou diferenças políticas em brigas pessoais, enquanto o cidadão deveria cobrar resultados de quem ocupa o poder

02/10/2026 às 20h04 Atualizada em 02/10/2026 às 21h02
Por: Jornal Classivale Fonte: *Por Klinger Peixoto Santos
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Política não é futebol: a torcida fanática não deveria ser mais importante que as propostas

 

*Por Klinger Peixoto Santos

A política brasileira, em muitos momentos, parece ter adotado o comportamento das torcidas de futebol. De um lado, os que defendem determinado político. Do outro, os que atacam o adversário. E, no meio dessa disputa, muitas vezes desaparece o que deveria ser o principal objetivo: as propostas e ações capazes de melhorar a vida da sociedade.

Nas redes sociais, não é difícil encontrar discussões que começam por causa de uma opinião política e terminam em ofensas. Pessoas que nunca se viram pessoalmente trocam agressões. Amigos deixam de conversar. Famílias se dividem. Relacionamentos são abalados. Tudo por causa de uma disputa na qual, muitas vezes, quem está brigando não terá qualquer participação nas decisões tomadas pelo político que tanto defende.

É preciso lembrar uma diferença fundamental: político não é ídolo e eleitor não é torcedor.

O eleitor pode admirar um candidato, concordar com suas ideias e acreditar em seu projeto. Mas isso não significa que deva defendê-lo em qualquer situação. Da mesma forma, votar em determinado candidato não deveria impedir ninguém de reconhecer um acerto de um adversário ou cobrar um erro de quem recebeu seu voto.

Quando termina uma eleição, começa outra responsabilidade: a de cobrar quem foi eleito.

O resultado das urnas deve ser respeitado. Independentemente de quem tenha recebido o voto de cada cidadão, o governante eleito passa a ter a responsabilidade de governar para toda a população, e não apenas para quem o apoiou.

E ao cidadão cabe acompanhar, questionar e cobrar.

Os políticos ocupam cargos públicos para servir à população e, por isso, devem prestar contas de suas decisões e resultados.

O Brasil avançou muito ao longo das últimas décadas, mas ainda convive com problemas que atingem milhões de pessoas: pobreza, desigualdade, dificuldades no acesso à saúde e à educação, insegurança, impostos elevados, corrupção, impunidade e obstáculos para trabalhadores, empreendedores e empresas que tentam crescer e gerar oportunidades.

Esses problemas não desaparecem porque um determinado político “x” venceu a eleição. Também não serão resolvidos simplesmente porque outro político “y” foi derrotado. A evolução vem com projetos e processos de curto, médio e longo prazo.

O que muda a vida das pessoas é a capacidade de transformar promessas em resultados — algo que nem sempre acontece.

Os políticos sabem explorar sentimentos, valores e emoções para criar identificação com os eleitores. Prometem resolver problemas, acabar com o que está errado e, muitas vezes, conseguem fazer o próprio povo levantar suas bandeiras e fazer campanha de graça para eles.

Até hoje, o velho “pão e circo” continua presente, muitas vezes com medidas que são apresentadas como grandes conquistas, quando na verdade deveriam fazer parte da obrigação de quem está no poder.

Enquanto o povo briga por política, deixa de olhar para o que realmente importa: o que está sendo feito com o país e com o dinheiro público. Precisamos lembrar que estamos todos do mesmo lado. Somos nós que pagamos bilhões em impostos e, por isso, temos o direito de cobrar retorno.

Uma boa escola, um atendimento de saúde que funciona, segurança, emprego, renda, infraestrutura, oportunidades para empreender, acesso à cultura e ao lazer e melhores condições de vida interessam tanto a quem vota em Lula quanto a quem vota em Bolsonaro, assim como a quem escolheu qualquer outro candidato ou decidiu não votar em nenhum deles.

Além disso, pouco se discute sobre as funções do Poder Legislativo e sobre como seus representantes estão trabalhando em prol da população. Senadores e deputados estaduais e federais também precisam ser acompanhados e cobrados pela sociedade.

Talvez seja justamente aí que esteja um dos maiores desafios da política brasileira: parar de enxergar o outro cidadão como adversário e voltar a enxergá-lo como alguém que também quer melhorar de vida. O objetivo do povo é o mesmo: ter qualidade de vida.

Hoje, o brasileiro se diz mais “politizado”, mas, na prática, o que muitas vezes acontece é a “politicagem”. Pouco se debate sobre projetos, propostas e ideias para evoluir. O que mais vemos são debates sobre quem é mais ou menos corrupto.

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  • É possível discordar profundamente de alguém e ainda assim respeitá-lo.
  • É possível defender uma ideia sem transformar quem pensa diferente em inimigo.
  • É possível cobrar um governo sem precisar defender automaticamente o anterior.
  • E é possível reconhecer um acerto sem precisar mudar de lado.

A política deveria servir para discutir caminhos diferentes para melhorar a vida da população. Não para destruir amizades, separar famílias ou transformar desconhecidos em inimigos nas redes sociais.

No fim das contas, nenhum político deveria ser mais importante do que o cidadão.

Por isso, talvez seja hora de trocar a lógica da torcida pela lógica da cobrança: menos defesa de “político de estimação”, menos ódio contra quem pensa diferente e mais atenção aos planos de governo e aos resultados.

Porque um Brasil melhor não depende de todos pensarem igual. Depende de conseguirmos discordar sem nos desumanizar e, principalmente, de cobrarmos juntos aquilo que deveria ser prioridade para todos: qualidade de vida.
Uma vida mais digna, com oportunidades, segurança, educação, saúde, trabalho, renda e também tempo para viver, viajar, se divertir e desfrutar mais da vida.

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Trabalho, renda e oportunidades
No Brasil, trabalha-se muito e, para grande parte da população, ganha-se pouco. Cerca de 70% dos ocupados recebem até dois salários mínimos, segundo levantamento do DIEESE, com base na PNAD Contínua do IBGE, considerando o período de 2012 a 2024.

Mesmo quem consegue uma remuneração melhor muitas vezes convive com pouco tempo para o lazer, para a família e para a própria vida, porque a jornada de trabalho e as responsabilidades acabam ocupando grande parte do dia.

Para o empresário, a realidade também está longe de ser simples. Manter uma empresa funcionando exige muito mais do que disposição para trabalhar. Há impostos, burocracia, custos elevados, funcionários, fornecedores, concorrência e uma série de decisões que precisam ser tomadas diariamente. Um erro de gestão pode representar prejuízos enormes e, em alguns casos, até o fim de um negócio construído durante anos.

O trabalhador quer crescer. O pequeno e o médio empresário também. As pessoas querem ganhar mais, melhorar de vida, consumir, investir, abrir negócios e proporcionar um futuro melhor para suas famílias. Existe, portanto, uma vontade enorme de prosperar.

Mas fica a sensação de que o sistema político e econômico nem sempre trabalha na mesma direção. Muitas vezes, as decisões favorecem grupos que já concentram grande poder econômico, enquanto ao trabalhador e ao pequeno empreendedor restam benefícios pontuais, incentivos limitados e, algumas vezes, aquilo que parece apenas uma pequena parcela diante de tudo o que é arrecadado.

Não se trata de dizer que todo político age da mesma forma ou que toda medida governamental seja ruim. A questão é outra: um país só consegue realmente avançar quando sua população tem condições concretas de produzir, empreender, trabalhar, estudar, se especializar, ganhar mais e ter tempo para viver.

Desenvolvimento não deveria significar apenas o aumento de indicadores econômicos. Deveria significar também mais renda para quem trabalha, menos obstáculos para quem empreende e mais oportunidades para quem deseja crescer.

Klinger Peixoto Santos

 












 

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