
As pesquisas científicas em parques estaduais de Minas Gerais ganharam força nos últimos dois anos e vêm contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade no estado. Entre 2024 e 2025, quase 170 novos estudos foram autorizados em Unidades de Conservação, ampliando o conhecimento sobre fauna, flora e ecossistemas mineiros.
Somente em 2024 foram 69 autorizações, número que saltou para 97 em 2025. Atualmente, cerca de 335 pesquisas estão em andamento nos parques e reservas estaduais, considerando novas autorizações e renovações anuais — já que cada permissão tem validade de um ano.
Os estudos abrangem áreas como botânica, ecologia, zoologia e geociências, incluindo espeleologia, geoarqueologia e geologia. Plantas, insetos, anfíbios, aves e mamíferos de médio e grande porte estão entre os grupos mais pesquisados, refletindo a diversidade biológica presente nas áreas protegidas.
Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), as Unidades de Conservação funcionam como verdadeiros laboratórios naturais. Os dados produzidos subsidiam políticas públicas e fortalecem a gestão ambiental no estado.
Pesquisadores também destacam a importância dessas áreas para identificar espécies, avaliar riscos de extinção e orientar ações estratégicas de preservação.
Novas espécies e monitoramento da fauna
Entre os resultados recentes das pesquisas está a identificação de duas novas espécies de pequenos sapos do gênero Crossodactylodes: uma no Parque Estadual do Pico do Itambé e outra no Parque Estadual da Serra Negra. Os anfíbios, menores que uma unha, vivem exclusivamente em bromélias, característica que os torna raros e vulneráveis.
Outra descoberta foi registrada no Parque Estadual do Pico do Itambé: uma nova espécie de libélula associada a ambientes de água limpa e bem preservados, como riachos e cachoeiras — reforçando a importância da conservação desses ecossistemas.
Pesquisas de longo prazo também geram impactos relevantes. No Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, o monitoramento do muriqui-do-norte subsidia estratégias de proteção da espécie. Já no Parque Estadual do Rio Doce, estudos sobre onças-pintadas e onças-pardas ajudam a compreender padrões de deslocamento e as principais ameaças enfrentadas pelos felinos.
Especialistas reforçam que as Unidades de Conservação oferecem condições únicas para estudos em ambientes preservados, permitindo compreender melhor os processos ecológicos e a dinâmica das espécies — informações essenciais para garantir a proteção dos biomas mineiros a longo prazo.

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