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Jornal Classivale Trabalho

73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6x1, aponta pesquisa nacional

Levantamento mostra que maioria defende dois dias de folga por semana, desde que não haja redução de salário; PEC segue em debate no Congresso

23/02/2026 às 12h08 Atualizada em 23/02/2026 às 12h21
Por: Jornal Classivale Fonte: Agência Brasil
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Pesquisa indica que brasileiros querem mais dias de descanso, mas sem corte na remuneração.
Pesquisa indica que brasileiros querem mais dias de descanso, mas sem corte na remuneração.

 

Uma pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário. O levantamento foi realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados acima de 16 anos.

Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 62% dos consultados afirmaram ter conhecimento sobre o debate em torno da proposta que tramita no governo federal e no Congresso Nacional. Desses, apenas 12% dizem conhecer bem o conteúdo, enquanto 50% afirmam conhecer “mais ou menos”. Outros 35% nunca tinham ouvido falar sobre o tema.

Quando a possibilidade de redução salarial entra na discussão, o apoio ao fim da escala cai para 28%. Outros 40% afirmam que só concordam com a mudança se não houver corte na remuneração. Já 5% apoiam o fim da jornada, mas ainda não têm opinião formada sobre a questão salarial.

A pesquisa também revelou que 84% dos entrevistados defendem que o trabalhador tenha pelo menos duas folgas obrigatórias por semana, independentemente de mudanças no salário. Para Tokarski, o dado demonstra um desejo generalizado por mais descanso, mas também evidencia a preocupação com a renda, especialmente em um país de renda média baixa.

Apoio varia conforme voto
O levantamento aponta diferença no apoio conforme o voto no segundo turno das eleições de 2022. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71% são favoráveis ao projeto que propõe o fim da escala 6x1, 15% são contrários e 15% não opinaram.

Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% apoiam o fim da jornada de 44 horas semanais, 32% são contra e 15% não opinaram.

Proposta em tramitação — atualização
A proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho está prevista na PEC 148/2015. O texto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda votação em dois turnos no plenário da Casa.

Caso seja aprovado pelos senadores, seguirá para análise na Câmara dos Deputados, onde também precisará passar pela CCJ, por uma comissão especial e, posteriormente, por duas votações em plenário.

A proposta prevê uma transição gradual. No primeiro ano após eventual promulgação, seriam mantidas as regras atuais. Em seguida, o número de descansos semanais passaria de um para dois. A jornada máxima, atualmente fixada em 44 horas semanais, poderia ser reduzida para 40 horas e, posteriormente, para 36 horas. Um dos pontos centrais do debate no Congresso é se a redução da jornada poderá ocorrer sem diminuição do salário.

Segundo a própria pesquisa, 52% dos entrevistados acreditam que a proposta será aprovada pelo Congresso Nacional, enquanto 35% acham que não. Outros 13% não souberam opinar. Apenas 12% afirmaram entender bem o conteúdo da PEC.

O tema deve continuar no centro das discussões políticas nos próximos meses, especialmente diante da divergência entre trabalhadores, que defendem a manutenção dos salários, e setores empresariais, que alertam para impactos econômicos da mudança.

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