
A obesidade avança de forma silenciosa e já se consolida como um dos maiores desafios da saúde pública mundial. No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, o alerta ganha ainda mais força diante de números que preocupam autoridades e profissionais da saúde.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com obesidade em todo o mundo. No Brasil, os dados também indicam crescimento expressivo. Estimativas do Ministério da Saúde apontam que mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso e cerca de 25% já convivem com obesidade.
Especialistas destacam que a condição deixou de ser vista apenas sob o aspecto estético e passou a ser reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, com impacto direto na qualidade e na expectativa de vida.
Segundo a nutróloga Dra. Juliana Vasconcellos, a obesidade exige tratamento contínuo. “Assim como ocorre com doenças como diabetes e hipertensão, ela pode entrar em remissão, mas precisa de acompanhamento permanente, principalmente com mudanças no estilo de vida”, explica.
A endocrinologista Dra. Priscila Nunes ressalta que o diagnóstico vai além do peso na balança. Embora o Índice de Massa Corporal (IMC) ainda seja um parâmetro inicial, exames como a bioimpedância permitem avaliar com mais precisão a composição corporal, diferenciando gordura, massa muscular e água. O acompanhamento médico também auxilia na identificação de fatores emocionais, como ansiedade e depressão, que podem influenciar o ganho de peso.
Riscos associados
A obesidade está associada a mais de 150 condições clínicas. Entre as mais comuns estão hipertensão arterial e diabetes tipo 2. A longo prazo, aumentam os riscos de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, além de diversos tipos de câncer, especialmente do trato gastrointestinal.
Outras complicações frequentes incluem apneia do sono e problemas articulares, como osteoartrose de joelho, provocada pela sobrecarga nas articulações.
De acordo com as especialistas, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse são pilares fundamentais tanto para a perda de peso quanto para a manutenção dos resultados. Focar em apenas um desses aspectos, isoladamente, tende a não produzir mudanças duradouras.
Combate ao estigma
Outro ponto destacado é o preconceito ainda enfrentado por pessoas com obesidade. Reduzir a doença a uma questão de falta de disciplina ignora fatores hormonais e neurológicos que interferem na regulação da fome e da saciedade.
“O tratamento adequado e o acompanhamento profissional são essenciais. A perda de peso não depende exclusivamente da força de vontade”, reforça Dra. Priscila.
Para as médicas, informação, acolhimento e acesso a tratamento são ferramentas indispensáveis no enfrentamento do problema. A principal orientação é não desistir e buscar ajuda especializada.
Reconhecer a obesidade como doença crônica é um passo fundamental para substituir julgamentos por ciência, empatia e compromisso com a saúde.
IBGE IBGE revela desigualdade em Minas: mulheres têm mais escolaridade, mas ainda ganham menos
Ferrovia Circulação do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas é suspensa nos dois sentidos devido a manifestação
Educação Estudantes mineiros conquistam medalhas de ouro em olimpíada internacional de matemática na Tailândia Mín. 22° Máx. 31°