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CEO da Aperam alerta para avanço do aço importado e desafios da indústria brasileira

Rodrigo Villela aponta concorrência com produtos chineses, alto custo de produção e entraves estruturais. Para 2026, previsão é de 4,9 milhões de toneladas de aço laminado importadas pelo Brasil.

30/10/2026 às 20h10 Atualizada em 30/10/2026 às 20h43
Por: Jornal Classivale
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Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America, durante encontro com jornalistas realizado em Timóteo, nesta sexta-feira (30).
Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America, durante encontro com jornalistas realizado em Timóteo, nesta sexta-feira (30).

A concorrência do aço importado, especialmente de produtos chineses, e os altos custos de produção estão entre os principais desafios enfrentados pela indústria siderúrgica brasileira. A avaliação foi apresentada pelo CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, durante encontro com jornalistas do Vale do Aço, realizado nesta sexta-feira (30), em Timóteo-MG.

Segundo o executivo, a entrada crescente de aço estrangeiro no mercado nacional tem pressionado a indústria brasileira. Ele atribui parte desse cenário aos incentivos concedidos à produção em outros países, principalmente na China, o que, em sua avaliação, provoca uma concorrência desigual.

A projeção apresentada por Villela é de que o Brasil importe 4,9 milhões de toneladas de aço laminado em 2026. O volume representa mais que o dobro da média registrada entre 2000 e 2019.

O avanço das importações atinge diferentes segmentos, incluindo aços carbono, inoxidáveis e especiais. No caso dos aços elétricos, o aumento da entrada de produtos estrangeiros, inclusive acabados, tem contribuído para que fabricantes nacionais operem abaixo da capacidade instalada.

No mercado de aço inoxidável, segmento em que a Aperam atua, o Brasil importa aproximadamente 100 mil toneladas por ano, o equivalente a 25% do consumo nacional.

Consumo interno ainda tem espaço para crescer
Além da concorrência externa, o CEO destacou o baixo consumo de aço inoxidável no Brasil como uma oportunidade para a indústria nacional.

De acordo com os dados apresentados, o consumo brasileiro é de aproximadamente 2 quilos por habitante ao ano. O índice fica abaixo do registrado no México (3,8 kg), na África do Sul (4,1 kg) e nos Estados Unidos (7,1 kg).

Para Villela, o crescimento da demanda interna poderia estimular novos projetos industriais, investimentos, inovação e geração de empregos no país.

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O executivo também apontou a necessidade de reduzir o chamado Custo Brasil, com atenção aos preços do gás natural, às deficiências de infraestrutura e à complexidade tributária. Ele defendeu maior previsibilidade nas regras da Reforma Tributária e agilidade no ressarcimento de créditos.

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Produção em Timóteo e aço de menor pegada de carbono
Durante o encontro, Villela apresentou dados da operação da Aperam South America, que possui capacidade para produzir 900 mil toneladas de aço bruto por ano, entre produtos inoxidáveis, elétricos e de carbono especial.

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Um dos diferenciais destacados pela empresa é a utilização de carvão vegetal renovável na produção. A usina de Timóteo opera integrada à Aperam BioEnergia, que fornece o insumo produzido a partir de florestas de eucalipto no Vale do Jequitinhonha.

Segundo a companhia, essa operação evita a emissão anual de aproximadamente 250 mil toneladas de CO₂.

A Aperam informa ainda que foi a primeira produtora mundial de aços planos especiais a alcançar o balanço de carbono neutro nos escopos 1 e 2. A empresa mantém a certificação internacional ResponsibleSteel, renovada até 2029.

Outro destaque é o Projeto Ecofinos, que reaproveita finos de minério de ferro na produção. Entre 2022 e 2025, a iniciativa evitou o descarte de 18,6 mil toneladas do material e reduziu as emissões acumuladas em 1,9 mil toneladas de CO₂.

Fundação Aperam investiu R$ 6,8 milhões em 2025
A atuação social da Fundação Aperam Acesita também foi apresentada durante o encontro. Em 2025, a entidade destinou R$ 6,8 milhões a projetos de desenvolvimento social e comunitário.

As iniciativas alcançaram cinco municípios do Vale do Aço e seis do Vale do Jequitinhonha. Segundo os dados divulgados pela empresa, mais de 157 mil pessoas foram beneficiadas, o equivalente a 28% da população das áreas de abrangência operacional da Aperam.

A companhia informa que mantém quase 5 mil empregos diretos no Brasil, considerando as operações siderúrgicas e de bioenergia.

Com unidade industrial em Timóteo e operações florestais no Vale do Jequitinhonha, a Aperam South America fornece produtos para mais de 40 países e atua nos segmentos de aços inoxidáveis, elétricos e carbono especial.












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