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Eleições 2026: empate técnico entre Lula e Bolsonaro coloca históricos e promessas em evidência

O artigo apresenta um raio-X resumido dos candidatos e destaca o papel dos indecisos e dos eleitores não polarizados em uma disputa marcada pelo empate técnico.

23/10/2026 às 19h10 Atualizada em 23/10/2026 às 19h26
Por: Jornal Classivale Fonte: *Por Klinger Peixoto Santos
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Pesquisa Datafolha aponta 50% dos votos válidos para cada candidato às vésperas do 2º turno
Pesquisa Datafolha aponta 50% dos votos válidos para cada candidato às vésperas do 2º turno

 

*Por Klinger Peixoto Santos

Neste domingo, 25 de outubro de 2026, os brasileiros voltam às urnas para escolher o presidente da República que governará o país de 2027 a 2030. A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) coloca frente a frente dois projetos políticos distintos, mas também candidatos cujas trajetórias estão longe de ser desconhecidas.
Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro apontou empate entre os dois candidatos, com 50% dos votos válidos para cada um, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na intenção de voto total, Flávio Bolsonaro aparece com 47%, Lula tem 46%, enquanto 5% pretendem votar em branco, nulo ou não escolher nenhum dos candidatos, e 2% seguem indecisos.

Embora a maioria dos eleitores afirme já ter decidido o voto, uma parcela ainda admite que pode mudar de escolha. Em uma disputa tão apertada, a atenção se volta também para os indecisos e para aqueles que não se identificam plenamente com nenhum dos dois campos políticos, sem compromisso com a polarização. Esses eleitores podem ter peso decisivo no resultado, e provavelmente decidirão as eleições. Quem não compareceu ao primeiro turno e continua apto também pode votar neste domingo.
Vale lembrar que no 1º turno o número de abstenção foi expressiva, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado brasileiro.

A escolha precisa ser feita agora nas urnas!
Não há como fugir dessa responsabilidade: o futuro do país está, mais uma vez, nas mãos do povo brasileiro.

Para avaliar o que está em jogo, é preciso olhar para os históricos, as propostas e as responsabilidades de cada candidato.

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Raio-X:
Lula x Flávio Bolsonaro

Lulismo: programas sociais, experiência e desgaste político
Lula construiu sua trajetória política a partir do movimento sindical e se tornou uma das principais lideranças da política brasileira. Governou o país por dois mandatos consecutivos, de 2003 a 2010, e voltou à Presidência em 2023.
Sua força eleitoral está ligada, em grande parte, à identificação com os trabalhadores e a população de menor renda. Programas de transferência de renda, políticas de inclusão social e iniciativas para ampliar o acesso à educação e à qualificação profissional são marcas associadas aos seus governos.

Lula também demonstrou capacidade de articulação política e de diálogo com diferentes setores da economia, incluindo grandes empresários. Essa característica ajudou a consolidar sua presença na política nacional, mas não o livrou de críticas sobre as decisões econômicas, a gestão pública e as alianças partidárias.

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Os governos petistas foram marcados por grandes escândalos de corrupção, como o mensalão e os desdobramentos da Operação Lava Jato. No caso de Lula, as condenações relacionadas aos processos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por questões de competência da Justiça. É necessário distinguir esse desfecho jurídico de uma condenação definitiva mantida.

O histórico político do PT também alimenta cobranças sobre a capacidade de prevenir irregularidades, aprimorar os mecanismos de controle e evitar que interesses partidários se sobreponham ao interesse público.

A experiência de Lula é um fato. O que precisa ser avaliado é se essa experiência será suficiente para enfrentar os desafios econômicos e sociais do país, melhorar os serviços públicos e garantir uma gestão responsável dos recursos públicos.

Bolsonarismo: propostas de mudança e uma família antiga na política
Flávio Bolsonaro apresenta-se como alternativa ao PT, mas não é um nome novo na política. Está na vida pública desde 2003, quando assumiu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, e é senador desde 2019. Seu pai, Jair Bolsonaro, também passou 26 anos no Legislativo antes de chegar à Presidência. Levantamentos sobre a atuação parlamentar de Flávio apontam uma produção limitada de leis de sua autoria exclusiva, o que permite questionar os resultados de tantos anos de vida pública.

Na economia, Flávio Bolsonaro defende uma linha liberal, com redução de impostos e gastos públicos, corte de ministérios e retomada das privatizações, além de concessões à iniciativa privada. A proposta é reduzir o tamanho da máquina pública, estimular investimentos e controlar a dívida. O plano prevê avaliar as empresas estatais caso a caso, sem apresentar uma lista de quais seriam vendidas.

Na segurança pública, Flávio Bolsonaro defende o endurecimento das penas, a redução da maioridade penal e medidas mais rigorosas contra o crime organizado, bandeiras tradicionais do bolsonarismo.

O candidato também provocou polêmica ao afirmar que pretende usar a maioria de direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar o país”. Depois, esclareceu que se referia a alterações como a reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal, mudanças tributárias e o fim da reeleição presidencial.

A família Bolsonaro também enfrenta controvérsias. Flávio teve o caso da suspeita de “rachadinha” em seu antigo gabinete arquivado após a anulação de provas. Mais recentemente, passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse. Jair Bolsonaro, por sua vez, foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. São casos distintos, que exigem precisão jurídica, mas colocam em debate a transparência e a coerência do grupo político que promete mudanças para o país.

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A experiência não garante bons resultados, assim como a promessa de mudança não significa, necessariamente, renovação.

A confiança nas instituições também está em jogo
O Supremo Tribunal Federal e as demais instituições públicas têm papel fundamental na democracia, mas isso não os coloca acima de críticas. Decisões e condutas devem ser transparentes, fundamentadas e sujeitas aos mecanismos legais de fiscalização.
Questionar instituições é legítimo e necessário. O desafio é cobrar responsabilidade sem transformar críticas em ataques generalizados nem tratar autoridades como se estivessem livres de prestar contas à sociedade.


O voto não encerra a cobrança
O Brasil precisa de resultados, serviços públicos de qualidade e responsabilidade com o dinheiro público. Lula deve ser cobrado pelos resultados de sua experiência na Presidência. Flávio Bolsonaro precisa demonstrar a viabilidade de suas propostas e o que sua candidatura oferece além da continuidade de um sobrenome conhecido.

Independentemente de quem vencer, a responsabilidade dos eleitores não termina nas urnas. Fiscalizar o governo, cobrar explicações e exigir coerência são tarefas permanentes em uma democracia.

Mais importante do que acreditar em promessas é examinar os históricos e cobrar resultados de quem pede o voto dos brasileiros.

Klinger Peixoto Santos












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