
O primeiro turno das Eleições 2026 terminou com um número expressivo de eleitores fora das urnas. No Vale do Aço, 82.860 eleitores não compareceram à votação nas quatro principais cidades da região, o equivalente a 24,23% do eleitorado apto. Ao todo, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso tinham 341.996 eleitores aptos.
Na prática, quase um em cada quatro eleitores dessas cidades deixou de votar no dia 4 de outubro.
O índice regional ficou acima do registrado em Minas Gerais. No estado, a abstenção foi de 22,82%, contra 22,29% no primeiro turno das eleições de 2022.
Ipatinga concentrou o maior número de ausentes
Ipatinga teve o maior número absoluto de eleitores que não compareceram às urnas. Dos 176.630 eleitores aptos, 43.053 deixaram de votar, uma abstenção de 24,37%.
Em Coronel Fabriciano, o percentual foi ainda maior: 25,09%, o maior entre as quatro principais cidades. Foram 20.059 ausentes de um eleitorado de 79.951 pessoas.
Timóteo registrou 13.836 abstenções entre 59.600 eleitores aptos, correspondendo a 23,21%.
Em Santana do Paraíso, 5.912 dos 25.815 eleitores não compareceram, uma taxa de 22,90%.
Abstenção também foi alta em outros municípios da região
O índice elevado não ficou restrito às quatro maiores cidades do Vale do Aço.
Em Belo Oriente, 5.336 dos 20.697 eleitores aptos não votaram, uma abstenção de 25,78%. Em Ipaba, foram 3.416 ausentes entre 13.853 eleitores, o equivalente a 24,66%.
Marliéria teve 1.026 abstenções, ou 22,73% dos 4.514 eleitores aptos. Já Jaguaraçu registrou 617 ausentes, correspondentes a 19,23%.
No entorno do Vale do Aço, Caratinga teve 13.175 eleitores ausentes entre 60.397 aptos, uma taxa de 21,81%.
Em Governador Valadares, município do Vale do Rio Doce, foram 44.932 ausentes entre 193.573 eleitores aptos, percentual de 23,21%.
Mais de 33 milhões não votaram no Brasil
A abstenção também foi expressiva em todo o país. 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado brasileiro.
O percentual foi o maior registrado em uma eleição geral desde 1998. Em 2022, a abstenção no primeiro turno havia sido de 20,9%.
O Brasil tinha cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos para a votação de 4 de outubro, dos quais aproximadamente 125,2 milhões compareceram às urnas.
Abstenção pode pesar no segundo turno
Com a disputa presidencial reduzida a dois candidatos, a mobilização do eleitorado passa a ter ainda mais importância. As campanhas precisam buscar os votos das candidaturas eliminadas no primeiro turno, mas também tentar levar às urnas eleitores que não participaram da primeira votação.
A abstenção, porém, não representa um grupo político uniforme. Esses eleitores podem ter diferentes motivos para não votar e não necessariamente optarão por uma das duas candidaturas. Ainda assim, a capacidade de ampliar a participação eleitoral será um dos elementos da disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Abstenção não é voto branco ou nulo
Os números de abstenção não devem ser confundidos com votos brancos e nulos.
Abstenção ocorre quando o eleitor não comparece à seção eleitoral. Já o voto branco ou nulo é registrado por quem foi votar, mas não escolheu um candidato de forma válida.
Nas quatro principais cidades do Vale do Aço, foram registrados 4.314 votos brancos e 5.766 votos nulos, totalizando 10.080 votos entre os eleitores que compareceram.
Em Ipatinga, foram 2.084 votos brancos e 2.949 nulos. Em Coronel Fabriciano, 1.076 brancos e 1.379 nulos. Timóteo registrou 830 brancos e 1.068 nulos, enquanto Santana do Paraíso teve 324 votos brancos e 370 nulos.
No Brasil, o primeiro turno registrou aproximadamente 2,3 milhões de votos brancos e 3,6 milhões de votos nulos na disputa presidencial.
Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?
Sim. O eleitor que não compareceu no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
Cada turno é considerado uma votação independente. Portanto, a ausência em 4 de outubro não impede a participação na votação de 25 de outubro.
Quem não votou no primeiro turno também precisa justificar a ausência. O procedimento pode ser feito pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral – Título Net ou presencialmente em um cartório eleitoral, com a apresentação da documentação necessária para comprovar o motivo da ausência.
Para quem faltou ao primeiro turno, o prazo para justificar termina em 3 de dezembro de 2026. Se o eleitor também não comparecer ao segundo turno, será necessária uma nova justificativa, cujo prazo termina em 8 de janeiro de 2027.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dados eleitorais dos municípios.
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