
Minas Gerais passou a contar com três novos reconhecimentos de seu patrimônio cultural. Nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou o registro das Expressões do Samba em Minas Gerais e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique como patrimônios imateriais. Também foi aprovado o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá.
As decisões foram tomadas durante reunião no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, e estão relacionadas à preservação de tradições, conhecimentos transmitidos entre gerações e construções que fazem parte da história mineira.
Samba mineiro
O registro das Expressões do Samba reconhece a presença histórica e a diversidade do gênero musical em Minas Gerais. Segundo as informações divulgadas pelo governo estadual, o estado conta atualmente com 246 grupos de samba cadastrados.
A solicitação para elaboração do dossiê de reconhecimento foi apresentada pelo coletivo de sambistas Mestre Conga ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).
Para os representantes do movimento, a decisão também tem significado histórico, considerando a trajetória de preconceito e repressão enfrentada por sambistas ao longo dos anos.
Cachaça de alambique
Os Modos de Fazer Cachaça de Alambique também receberam reconhecimento como patrimônio cultural imaterial. A medida valoriza técnicas tradicionais de produção e conhecimentos transmitidos entre famílias produtoras.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. O estado possui 630 alambiques registrados, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
Além de preservar os métodos tradicionais, o reconhecimento pode ampliar a visibilidade dos produtores mineiros e valorizar a bebida nos mercados nacional e internacional.
Casa de Dona Beja, em Araxá
O terceiro reconhecimento foi o tombamento da Casa de Dona Beja, também conhecida como Pensão Tormim, em Araxá, no Alto Paranaíba.
O imóvel foi construído entre as décadas de 1820 e 1830 e apresenta características da arquitetura urbana do século 19. A edificação está ligada à trajetória de Anna Jacintha de São José, conhecida como Dona Beja, personagem marcante da história de Araxá.
Dona Beja teve influência social, econômica e política em sua época e ficou conhecida por desafiar os padrões morais daquele período. Sua trajetória também se relaciona a acontecimentos históricos, como a Revolução Liberal de 1842.
O tombamento busca proteger as características históricas do imóvel e preservar a memória de uma das figuras mais conhecidas da história mineira.
Os três reconhecimentos foram aprovados pelo Conep, conselho vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG).
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